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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Arroz piamontese, piamontesa, piemontese?…

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Me conta aqui, mas fala a verdade!

Quando você pronuncia o nome desse arroz, você fala com total segurança ou manda um “piaemontesea”, pra servir conforme quem ouve?

Esse nominho varia de boca para boca, você já deve ter reparado. “Arroz à piamontêsa”, “arroz à piamontése”, “arroz à piamontéssi” … Fica complicado descobrir qual é o jeito certo.

Bem, primeiro é preciso saber que esse arroz é uma criação brasileira, não é um prato da região de Piemonte, na Itália – ao contrário do que dizem por aí. Digamos assim que ele seja uma “imitação de risoto”, preparada com o arroz branco de todas as mesas dos brasileiros. Uma adaptação que leva ingredientes comuns na nossa culinária, que fazem com que o arroz fique cremoso como um risoto (parecido, só). Como homenagem, entre outras possibilidades, escolheram a região do Piemonte para batizar a receita tupiniquim metida a italiana.

Nessas condições, o nome acabou ganhando muitas variações. A única que não vingou é “arroz piemontês”, que seria o mais lógico, no puro Português. “O arroz do Piemonte” foi tão bem “vendido” como receita italiana, que muitos de nós, brasileiros, ficamos confusos e também sem jeito na hora de falar o nome dele, por acreditarmos ser de outro idioma. Estou me incluindo no grupo porque fiz parte dele até o dia em que descobri que o arroz é tão brasileiro quanto eu.

Daí em diante, eu falei: “Ué, então peraí! Preciso entender o por quê de cada variação desse nome e então vou escolher uma delas para usar”.

Então eu peguei algumas línguas latinas para comparar as variações das palavras entre elas e tentar entender de onde vieram as versões do nome desse arroz, antes de qualquer coisa. Dê uma olhada:

Em Português

O Piemonte

A cozinha piemontesa

O restaurante piemontês

Em Italiano

Il Piemonte

La cucina piemontese

Il ristorante piemontese

Em Espanhol

El Piamonte

La cocina piamontesa

El restaurante piamontés

Em Francês

Le Piémont

Le restaurant piémontais

La cuisine piémontaise

Repare bem como a gente fez uma salada com esses idiomas, não só na grafia como na pronúncia. Se você jogar cada grupinho desse no Google Tradutor e clicar para ouvir a pronúncia (no mesmo idioma), vai ser fácil perceber como os sons se misturaram e resultaram em versões híbridas para o nosso arroz piemontês.

A maior parte das pessoas adotou um nome formado pela palavra do Espanhol, “Piamonte”: “piAmontese” ou “PiAmontesa” (mas com “à” em vez de “a la”). Raramente você vai ver “piEalgumacoisa”.

Eu não sou nenhuma grande conhecedora de Gramática e não domino as diferentes formas de formação de palavras, mas tenho uma tendência a não gostar de hibridismo quando ele não me parece ser necessário. Algumas palavras do nosso vocabulário são híbridas, formadas por radicais de diferentes idiomas, mas elas estão tão enraizadas no nosso Português, que seria até estranho “fazê-las de novo”. Por exemplo: bicicleta, burocracia, automóvel, sociologia. Agora, dar nome a um prato que faz referência a um local, como “Bacalhoada Portuguesa”, parece bem simples de ser feito de uma forma mais simples e direta. Para mim, “piamontese” é difícil de engolir.

Outra coisa interessante é que a pronúncia em Francês faz lembrar muito a forma como algumas pessoas leem ”piamontese”: “piamontéssi”. Pior é que, se você for reparar, são exatamente as pessoas mais “frescas” (sempre no bom sentido, amo a França). É sério! Repare bem.

Seria fácil se todos chamassem de “arroz piemontês”, a versão 100% brasileira! Se bem que, a esta altura, a língua iria acabar se confundindo dentro da boca e sairia um sonoro “arroz piAmontês”.

O nome predominantemente usado por todo o Brasil é, realmente, o “arroz piamontese”. Uma soma de Português (arroz) com um híbrido de Espanhol e Italiano (piamontese). Caramba, não dava para ser menos “mestiço”?

Depois dele, vem o ”arroz à piamontese” (que seria um “arroz à maneira piamontese”) e “arroz de piamontese” – que é o que me dá mais pavor. O  ”arroz à piamontesa”, que vem em seguida, eu acho mais razoável.

Se você escrever no Google “arroz a” (sem acento no “a”, porque as pessoas não costumam acentuar as palavras para fazer buscas), adivinha o que ele vai autocompletar?

Mussarela ou Muçarela?

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Eu confesso que toda vez que escrevo o nome deste queijo me dá um certo transtorno.

Pensa rápido: “mussarela” ou “muçarela”?

Vou dar uma dica, hein?

O nome original é “mozzarella“!!

Ok, vou falar.

A forma correta é “muçarela“!!

Pois é. Não me sinto bem lendo e/ou escrevendo “muçarela”. Eu sempre li, a vida toda, “queijo mussarela“. É verdade!!! Você sabe disso porque leu também.

Difícil fazer o olho e o cérebro se acostumarem com uma “nova” grafia de uma palavra que ele sempre leu, de fontes seguras, escrita de um jeito que inclusive é muito mais parecido com a palavra original (“mozzarella“), muito mais bonito!

Ainda me dá arrepios na hora de escrever e aí, muitas vezes, escrevo “mozzarella” mesmo! rsrs! Lembra dos “Mozzarella Sticks“? icon smile Mussarela ou Muçarela?

Então vamos lá aprender esse negócio direito!

“Mozzarella” é una parola italiana (“palavra italiana”, stupido! Traduci con Google! Andiamo!”) con due “z”!

Outras palavras com “zz” também já foram aportuguesadas e convencionou-se que, nesses casos, a palavra passa a ter um lindo “ç” no lugar.

No caso da muçarela, também é correto escrever “mozarela“, de acordo com vários dicionários. Agora, “mussarela” foi uma criação de alguém e que ficou super estético, rs, então começou a ser reproduzida pela indústria afora! Tudo quanto é embalagem tem essa forma escrita, pode reparar.

Aí, desde que você aprendeu a ler todos os anúncios de outdoors em voz alta, conhece a tal da “mussarela”. Não é nossa culpa, “a culpa é do sistema”!!!

Legal mesmo foi um supermercado carioca, Prezunic, que teve que colocar cartazes explicando tudo isso para os clientes.

O que aconteceu foi que começaram a comentar e debochar dos comerciais de TV, das etiquetas de produtos e cartelas de preço que tinham a palavra “muçarela” escrita. Diante das piadas, o supermercado fez cartazes para explicar que aquela era a forma correta e que  ”estava em conformidade com alguns de nossos principais dicionários de Língua Portuguesa, como Aurélio, Houaiss, Michaelis, Priberam e Melhoramentos.”

Imagine isso!! No meio do supermercado, entre pilhas de papel higiênico, bancas de frutas, peixes e linguiças, um cartaz em defesa da grafia correta da palavra “muçarela”! Hilário!!

Eles também publicaram o esclarecimento no site do Prezunic, para quem não fosse ao supermercado.

Maizena ou Maisena?

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Se você ainda não teve esta dúvida, ela ainda apareceria um dia se você não lesse este post.

Qual é o correto: “maiZena” ou “maiSena”?

“Maizena” (com inicial maiúscula) é o nome de uma marca tradicional da “maisena“, essa da caixinha amarela.

A “maisena“, por sua vez, é um nome que usamos para designar o  ”amido de milho“, farinha branca e fininha feita do milho.

Calma, não confunda “amido de milho” com “fubá“, porque são coisas muito diferentes! Ambas são farinhas derivadas do milho mas a produção é bem distinta e o resultado também. Você já deve ter reprado que a aparência, o gosto e o uso delas não tem nada em comum.

O amido de milho, ou “maisena” (com “S”), é muito usado como espessante para alimentos (para engrossar), como substituto da farinha de trigo em algumas receitas (ou usado em conjunto) e para fazer mingau!

Então, ensine para pelo menos 10 pessoas que você conhece:

“Maizena” (com “Z“) é o nome da marca. Se quiser se referir a ela, especificamente, escreva com “z”.

“Maisena” (com “S“) é o nome da farinha. Você pode falar “maisena” ou “amido de milho”, os dois estão corretos!

E aí? Vamos comer agora um mingau de maisena?

Farfalle

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Estava eu na fila do buffet de massas e a moça chegou pedindo no balcão: “Eu quero a gravatinha“.

Eu fiquei ali só olhando a gravatinha sendo preparada e pensando…

Nisso veio a outra moça que estava atrás dela e fez o mesmo pedido, mas muito mais feminina: “Também vou querer o lacinho!”.

Nunca vi tão lindos assim pessoalmente e diria até que realmente parecem laços e gravatas, olha só esses…

Farfalles decorados Farfalle

Mas minha gente, adulto já pode falar “Farfalle”, não pode? Duas executivas chamando a massa de “gravatinha” e “lacinho” é patético.

Farfalle é “borboleta” “borboletas” em italiano (a Vanessa comentou corrigindo! =D) , mas é o nome da massa!! O nome já é fofo lá na Itália e a gente vai inventar outro mais **fofo** ainda no Brasil?

O “capelli d’angelo” foi traduzido para “cabelo de anjo“, ora bolas. Por que não chamam logo o farfalle de “borboletas” – ou mesmo “borboletinhas“, para os mais necessitados de fofura?

Aff, estou vendo o dia que alguém vai pedir umas “pelotinhas“em vez de “gnocchi” (que aliás, lê-se “inhoque”, nada de “guinoche”).

Você lê o meu blog e eu me sinto responsável pelo desenvolvimento do seu vocabulário gastronômico. Grava essa, hein?! De agora em diante você come “farfalle”.